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Educação

Aluno do SENAI de Estância é finalista na WorldSkills 2019, na Rússia

Ele será o primeiro representante brasileiro a competir na modalidade arte 3D digital para games

31/01/2019 17h21
Por: Redacao
Fonte: Agência do Rádio Mais

Com apenas 15 anos, Gabriel Vieira é um dos 63 jovens selecionados para disputar uma vaga na equipe brasileira da maior competição de educação profissional do mundo, a WorldSkills. Apesar da pouca idade, o jovem já carrega uma grande responsabilidade. Ele será o primeiro representante brasileiro a competir na modalidade arte 3D digital para games, inédita no mundial. A 45ª edição da disputa ocorrerá de 22 a 27 de agosto, no Centro Internacional de Exposições KAZAN EXPO em Kazan, na Rússia.

 
Gabriel mora em Estância, com os pais, a avó e a irmã mais nova. Diferentemente da maioria dos participantes, que já concluíram o ensino médio, ele está no último ano. Foi o primeiro aluno de Sergipe a se formar no curso técnico em programação de jogos digitais do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), no ano passado. Mesmo sendo um dos mais jovens entre os competidores, Gabriel garante que a idade não atrapalha no desempenho nem no relacionamento com os outros participantes.
 
Ele foi convidado a participar da Olimpíada do Conhecimento depois que os professores notaram o interesse e a habilidade de Gabriel com desenhos e a criação de personagens. Ingressou no curso técnico e passou a conciliar com a escola e os treinamentos. Em agosto do ano passado, foi classificado na etapa nacional, realizada no Amapá. Lá ele disputou com representantes do Paraná e Rio de Janeiro.
 
Segundo Gabriel, a participação no mundial pode render muitas oportunidades. “Assim que eu concluir a minha passagem pela WorldSkills, eu já vou ter uma boa experiência para o currículo, então vai facilitar muito para eu conseguir um emprego, conseguir já embarcar para o mercado de trabalho, assim que eu terminar a escola”, espera.

Em Brasília para a última fase de treinamentos, o jovem garante que vai se esforçar para trazer o título para o Brasil. “Agora vai ser manhã, tarde e noite, todos os horários praticando e aprimorando o que a gente já fez na nacional pra fazer ainda melhor para o mundial”, afirma.

Gabriel deve permanecer na capital federal até a competição, junto com aproximadamente 50 jovens. Representantes de algumas modalidades irão se preparar também nos centros de treinamento do SENAI localizados em Belém, Porto Alegre, Belo Horizonte e Joinville, em Santa Catarina.

Educação Profissional

Gabriel é um exemplo de como a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano.

De acordo com levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para quem está desempregado e busca recolocação no mercado. O salário de um profissional técnico varia entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.

Segundo o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o país tem potencial em educação profissional. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, afirma.

A competição

WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades que correspondem às profissões técnicas da indústria e do setor de serviço. Há mais de 65 anos, a competição reúne jovens qualificados de todo o mundo, selecionados em olimpíadas de educação profissional de seus países, realizadas em etapas regionais e nacionais.

Cada jovem competidor recebe um projeto e tem uma determinada quantidade de horas para desenvolver o desafio, da melhor forma possível. É colocada em cheque a habilidade técnica dos participantes, cada um dentro da sua modalidade. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos. São 56 modalidades técnicas que exigem adequação aos padrões mundiais.

Segundo o gestor do projeto Brasil Kazan 2019, José Luiz Gonçalves Leitão os jovens devem ter conhecimentos sobre desenvolvimento e desenho técnicos, metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto e também sobre processos. “É um jogo de tempo. Cada uma das habilidades é trabalhada exaustivamente dentro dos padrões e eles são submetidos a vários testes, exercícios, durante esse período”, ressalta.

A cada edição da WorldSkills, o Brasil participa com um número maior de competidores e melhora sua classificação no quadro de medalhas. Em 18 participações, o país já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história do campeonato foi em São Paulo, em 2015.

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