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ESTÂNCIA: HISTÓRICOS DE RANCOR, MÁGOA E ATAQUES COLOCAM UNIDADE DE AGRUPAMENTO POLÍTICO EM XEQUE

No muito falar há muito desgaste. É preferível guardar silêncio.

20/05/2020 11h42Atualizado há 2 semanas
Por: Redacao
Fonte: Por: Lucas Berto

Não é de agora que a relação politico-pessoal do atual Prefeito de Estância, Dr. Gilson Andrade, com sua Vice, Professora Adriana Leite, e com o Ex-Prefeito, Ivan Leite, está "estremecida". Isso se a palavra for o suficiente para adjetivar uma relação, no mínimo, desgastada. Apesar de terem chegado a Prefeitura juntos em 2016, nunca houve uma unidade de agrupamento em torno de um projeto político direcionado. 

Isso se provou dois anos depois das eleições municipais, quando em 2018, durante as eleições estaduais, o Ex- Prefeito Ivan Leite acusou parte do agrupamento de Gilson Andrade, de fazer "corpo mole" na campanha eleitoral de sua esposa, a Professora Adriana Leite, que na época almejava ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Sergipe, representando Estância. 

E de lá pra cá, só houve troca de farpas! 

Quem não se lembra do afastamento de Gilson Andrade por alguns dias da Prefeitura, juntamente com seu Secretário Municipal de Finanças, deixando a Vice-Prefeita em Exercício com uma caneta "sem tinta" nas mãos? Quem não se lembra do tom ofensivo do Prefeito em seu retorno a Prefeitura, ao chamar a Vice-Prefeita de "jogadora reserva" em um programa de rádio ao vivo, somente porque a mesma afirmou que poderia ser pré-candidata ao Executivo em 2020? Quem não se lembra do Ex-Prefeito Ivan Leite tomando a frente da situação nos meios de imprensa e fazendo duras afirmações em resposta as ofensas toscas de Gilson Andrade? Quem se esqueceu da ausência constante da Vice-Prefeita durante muito tempo nos eventos públicos oficiais ao lado do Prefeito? Quem não se lembra das constantes afirmações do Prefeito de que ainda "não escolheu seu/sua vice" para concorrer na chapa 2020, mesmo diante da afirmação do Ex-Prefeito Ivan, de que "dificilmente o apoiaria" caso sua esposa não cumpusesse a majoritária?  Esses são apenas alguns exemplos de como a situação política do grupo se desgastou durante todo um mandato e de como a falta de comunicação pessoal e política agravaram todo processo. 

Mas como sempre é possível piorar, a situação de atrito político se agravou ainda mais nos últimos dias. A recente divulgação de um documento assinado em 2019, pela então Prefeita em Exercício, Adriana Leite, onde consta uma autorização do município, de utilização das estradas vicinais locais por uma empresa que realiza a construção de uma adultora na região, causou uma reação desesperada de Gilson Andrade e de alguns membros de seu agrupamento político. 

Sobre a polêmica da obra: 

Acontece, que uma adultora está sendo construída pelo Estado de Sergipe dentro nos limites do município e utilizará as águas do rio Piauitinga, que já abastece a cidade de Estância, para fornecer água também a outros municípios. Mas toda questão ainda é envolta em muitos mistérios e falta de informações por parte do Estado, o que gerou nos estancianos a preocupação de que essa construção, possa mais tarde, prejudicar a captação de água na cidade. 

A preocupação da sociedade, acendeu o alerta dos poderes públicos municipais, que quando questionados, tanto a Prefeitura, quanto a Câmara Municipal de Vereadores de Estância, afirmaram na época, nada saberem sobre a tal obra, e o Prefeito ganatiu que nunca havia emitido nenhum documento autorizando nada no tocante a obra.

Porém, com o aparecimento de uma documentação emitida em 2019, pela Prefeita em Exercício, Adriana Leite, caiu-se por terra a afirmativa do atual Prefeito, de que o poder público executivo não tinha conhecimento da construção da adultora. Em rede social, a Vice-Prefeita emitiu uma nota onde afirmou que assinou o expediente orientada, na época, pela Procuradoria Geral do Município, cujo Procurador Chefe, é irmão do atual Prefeito Gilson Andrade. Adriana ainda reiterou que antes de deixar interinamente a Prefeitura, entregou ao próprio gestor cópia do expediente por ela assinado. 

Após a divulgação do documento, a situação política que ja era ruim entre Gilson, Adriana e Ivan, piorou ainda mais. Enquanto a troca de farpas permanecia apenas entre os líderes dos agrupamentos, era uma situação isolada e controlada, mas a partir de uma entrevista concedida por Gilson Andrade a um programa de rádio local na manhã de ontem (19/05/2020), onde o mesmo, numa clara tentativa de se esquivar de qualquer culpabilidade, afirmou que a nota emitida por Adriana Leite "foi desnecessária" e que "(ela) tenta terceirizar a culpa" e que a Vice-Prefeita "assinou o documento e não pode culpar ninguém", gerou uma série de repercussões negativas, que mais tarde desencadeou em ataques deliberados de diversos assessores e apoiadores do próprio gestor, contra a Vice-Prefeita. 

O ataque desses assessores e apoiadores de Gilson Andrade à Adriana Leite, na falida tentativa de empurrar a culpa da afirmação que fora feita levianamente pelo próprio Prefeito, de que a Prefeitura nada sabia e tãopouco havia emitido alguma autorização no tocante a construção da adultora, é baixa, desesperada e desrespeitosa. O gestor deveria ter organizado uma força tarefa na procura de documentos emitidos pela Prefeitura, antes de repassar a população uma afirmação inverídica. 

Toda situação demonstra que há falta de comunicação pessoal e política entre o Prefeito e sua Vice, que as poses e abraços nas fotografias foram e são puro marketing numa tentativa de sustentabilidade popular; que os sorrisos e cumprimentos foram e são apenas uma questão de obrigação e educação e; que a unidade do agrupamento é totalmente de faxada. 

Sem dúvidas há um descompasso no ar, e tudo indica que se as conjunturas políticas futuras levarem em consideração as mágoas, rancores e os ataques acumulados, dificilmente teremos uma dobradinha em 2020, com o mesmo elenco ocupando os mesmos papéis.

Por Lucas Berto

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